sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Nessa bumba eu não ando mais

Voltei de férias neste semestre desmotorizada. Como moro muito mais perto da faculdade do que antes, resolvi que voltar a pegar ônibus me livraria de custos exorbitantes que um carro implica, além de stress no trânsito, flanelinhas, assalto (essa minha teoria conto em outra oportunidade), arranhões de estacionamento e ainda contribuiria para o bem geral do universo emitindo menos gás carbônico e empacando menos as ruas de São Paulo.

Pois bem. Uma decisão dessas implica considerar que, nos horários de pico, ônibus são latas de sardinha disputadas a socos, pontapés e arranhões. Fora dos horários de pico a coisa não melhora muito, especialmente nos fins de semana: a oferta dos coletivos míngua inclusive em grandes avenidas, resultando numa espera em pé, compensada com um lugar para se sentar depois de rodar a catraca.

Mas o que mais me choca não são os apertos, os sacolejos, o instinto assassino do motorista nem aquelas pessoas que "podiam estar robando, podiam estar matando, mas tão aqui ganhando o pão honestamente vendendo a bala Xis mais barata que no supermercado". O hors concours das loucuras do transporte público são as bizarrices que as pessoas expõem que fazem parte do foro íntimo. Explico.

Esses dias estava lendo uma coluna de não sei de quem não sei onde (Como não tem professor orientador no meu pé do blog, me dou o direito a escrever sem "roda de notapé", como disse um amigo meu, num lapso, em sua aula de direito), que comentava justamente esses momentos "à vontade" nos ônibus da cidade. Fazendo jus à vida dura que muitos levam, o autor citava que muitos dormem nos coletivos, com a boca escancarada, denunciando uma noite curta ou um trabalho cansativo. Isso não é novidade pra ninguém. Eu mesma não atiro pedra nenhuma pois sou a maior cochilona em meios de transporte, inclusive sem sono. Aposto que eu cairia nos braços de Morfeu se eu vivesse há dois séculos e precisasse cavalgar para chegar à faculdade. Só que além de roncarem, ronronarem e colocarem a cabeça no seu ombro, as pessoas se despem de qualquer pudor e agem como se estivessem sozinhas, no aconchego do lar.

Há umas duas semanas, eu voltava à noite pra casa, sentada separada por umas duas fileiras de um casal jovenzinho, com seus 15 anos. Não demorou pra perceber que era formado por uma menina do tipo "tentativa de paty" (chapinha, argolas gigantes, calça justa, blusa que valoriza o sutiã com bojo) e um menino "tentativa de mano" (boné. Não precisa de mais nada). No começo, eles tavam só no nhémnhémnhém, bilubilu e selinhos. Mas à medida que descíamos a Teodoro Sampaio, o calor da paixão arrebatou os pombinhos. Eu estava quase chamando uma Assistente Social pra colocar aqueles protagonistas de uma quase-chanchada num abrigo para menores. Não sou ingênua. Tem muito pré-aborrecente de 11 anos que já engravida a namorada, mas aquele espetáculo da pegação na minha frente e na de outros tantos passageiros, que se entreolhavam, só não foi um atentado ao pudor porque a garota teve que descer no Largo da Batata, sem antes dar um beijinho final e aquele tchauzinho com as pontas dos dedos, no melhor estilo "vou fazer cu doce mas só até amanhã". Limpei toda a saliva que tinha voado no meu colo e concluí, definitivamente, que o melhor lugar para se levar um pretê é no sugestivo 117-Y.

Outra situação, no mínimo grotesca, foi logo hoje de manhã, no meu atropelo diário em ir para a aula. Sentei ao lado de uma moça grávida, bem no fundo do ônibus. Simpatizei com ela, não só pela gravidez, mas por estar vestido um vestido igual a um que eu tenho e adoro. Bom gosto e sofisticação atraem iguais, certo? Errado. A avó do feto não deve ter ensinado pra menina que espremer espinha e cortar unha do dedão do pé a gente não faz na frente de ninguém, nem do marido. Pois bem, não é que a moça começa a olhar o próprio decote e "explorar" a região em busca de cravinhos e espinhas? E não é que ela encontra e começa a espremê-los??? Qual é a urgência? No trabalho tem inspeção de Wonderbra? Ela é modelo de nu artístico em escola de artes? Bebês não gostam de espinhas na hora de mamar, têm nojo? Pois quem tem nojo disso sou eu e a torcida do flamengo. E o que vai fazer com a sujeirinha que sai? Acumular debaixo da unha ou mandar um peteleco pra longe, acertando o banco da frente, onde uma bunda inocente há de se sentar?

Isso sem contar nas confissões escabrosas que o povo faz ao celular, como se as outras pessoas tivessem um ouvido em forma de penico pra saber quando fulaninha menstruou. Também tem a turma das funkeirinhas que sentam nos 5 assentos do fundão e cantam o hit do momento. Ou mesmo as top 10, dependendo da duração do percurso.

Venho por meio deste post fazer um apelo: párem de usar o público como privado(a)! Quer praticar suas bizarrices, compre um carro! Ou alugue um! Siga o exemplo de um cara que, parado no semáforo, praticou o seu pandeiro, fazendo o ziriguidum no decibéu que queria com as janelas FECHADAS. Palmas para este cidadão paulistano. Faça sua parte!

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